18 de junho de 2011
21 de maio de 2011
Seguro em tuas mãos
Forma-se o laço
Onde a força do tempo não tem lugar
E os tornados não movem uma folha desse amor
Na brisa dos teus sonhos
Eu permaneço
E faço forte meu caminho
Nessa estrada pintada pelos teus lápis de cor
Que vou recolhendo por onde passo
Assim, como colho as tuas lágrimas
E rego os teus dias
Vem musicar meus versos
Com a melodia do teu riso
E cantemos, os dois
Pela trilha que faremos
Com as estrelas
Que saltam dos teus olhos
E não me perderei
Caso eu volte só...
Saberei
De ti
Pelo céu que desenhas no chão...
24 de março de 2011

COPACABANA
Recupero-me da queda de ontem. Assombrada ainda com o impacto do meu corpo no meio fio. Boca sangrando lágrimas. Afinal, onde dói mais? Permaneço olhando o teto branco de gelo que derrete e molha minha nudez. Meu corpo rígido desfalece e, por uma eternidade de duas horas e quinze minutos, sente apenas o que foi o calor que aquecia este planeta de seis metros quadrados que eu chamava de santuário. Não sei se o que ouço é música. São ruídos que vêm da rua e é provável que seja efeito ainda da overdose dos abraços que chegavam de surpresa. Meu corpo levanta e caminha até a sala, mas sinto que estou deitada e presa neste espaço sendo banhada aos poucos pela água gelada. Observo de longe minha imobilidade. Chame de saudade quem quiser. De queda, tombo, atropelamento, surra, que seja. Muitas de mim não existem desde ontem. Houve uma chacina. Duas sobreviveram: uma deitada no frio molhada pelo teto que derrete e outra ensandecida contando as pedras do calçadão de Copacabana.
Recupero-me da queda de ontem. Assombrada ainda com o impacto do meu corpo no meio fio. Boca sangrando lágrimas. Afinal, onde dói mais? Permaneço olhando o teto branco de gelo que derrete e molha minha nudez. Meu corpo rígido desfalece e, por uma eternidade de duas horas e quinze minutos, sente apenas o que foi o calor que aquecia este planeta de seis metros quadrados que eu chamava de santuário. Não sei se o que ouço é música. São ruídos que vêm da rua e é provável que seja efeito ainda da overdose dos abraços que chegavam de surpresa. Meu corpo levanta e caminha até a sala, mas sinto que estou deitada e presa neste espaço sendo banhada aos poucos pela água gelada. Observo de longe minha imobilidade. Chame de saudade quem quiser. De queda, tombo, atropelamento, surra, que seja. Muitas de mim não existem desde ontem. Houve uma chacina. Duas sobreviveram: uma deitada no frio molhada pelo teto que derrete e outra ensandecida contando as pedras do calçadão de Copacabana.
22 de março de 2011

TRINTA SEGUNDOS
Vivendo num filme de trinta segundos esperando o apagar das luzes dou início a uma longa conversa comigo mesma percebendo uma aglutinação de poetas na minha mente prisioneira começo o monólogo e fagulhas de equívocos entram pelas frestas da janela quando tudo dorme e a madrugada faz silêncio eu tento uma poesia exorcista contundente-convincente-eloquente recomeço a busca procurando letras como se fossem cápsulas de analgésico de efeito instantâneo para um corpo bipolar e continuo a vigília enquanto o filme passa aguardo tentando não recordar o pretérito-mais-que-perfeito de um amor eterno e efêmero rogando para que depressa amanheça.
Sandra Fuentes
Vivendo num filme de trinta segundos esperando o apagar das luzes dou início a uma longa conversa comigo mesma percebendo uma aglutinação de poetas na minha mente prisioneira começo o monólogo e fagulhas de equívocos entram pelas frestas da janela quando tudo dorme e a madrugada faz silêncio eu tento uma poesia exorcista contundente-convincente-eloquente recomeço a busca procurando letras como se fossem cápsulas de analgésico de efeito instantâneo para um corpo bipolar e continuo a vigília enquanto o filme passa aguardo tentando não recordar o pretérito-mais-que-perfeito de um amor eterno e efêmero rogando para que depressa amanheça.
Sandra Fuentes
20 de março de 2011

DESENCONTRADOS
Escrevo em tuas costas
Meus versos molhados
De
Palavras inconfessáveis
Tatuando em tuas pernas
As cores da minha boca
Nos teus olhos prossigo
Relendo os textos
E, devoro em segundos
tuas rimas desencontradas
(decoro)
E repito de forma incansável
Inconsciente
O deleite da tua doçura perversa
Escreve em mim
Tu
Agora
Teus desejos desesperados
Frente e verso
Meus versos molhados
De
Palavras inconfessáveis
Tatuando em tuas pernas
As cores da minha boca
Nos teus olhos prossigo
Relendo os textos
E, devoro em segundos
tuas rimas desencontradas
(decoro)
E repito de forma incansável
Inconsciente
O deleite da tua doçura perversa
Escreve em mim
Tu
Agora
Teus desejos desesperados
Frente e verso
Até que eu chore
Olhando de frente
Pra tua poesia
Sandra Fuentes
Olhando de frente
Pra tua poesia
Sandra Fuentes

ÚLTIMO ANDAR
Maquiava os olhos às cinco da manhã e ficava em seu quarto olhando para o espelho. Não havia traços do tempo em seu rosto, mas o coração, com rugas profundas, se fazia de desentendido. Fumava um cigarro que deixava pela metade. Olhava o mar pela janela do apartamento minúsculo e pensava em seus sonhos-pesadelos. Nem sempre é possível distinguir um do outro quando se dorme. As cores se confundem e os personagens mudam de cena durante um sono profundo. Mas a mulher vestida de segredo, tirava suas meias transparentes e caminhava descalça em direção à porta. Gostava quando ia sentindo nos pés o frio daquele piso do corredor pintado de verde. Sentava na escada e acendia mais um sonho, que deixava pela metade.Ela quer descer. Passa pelos degraus como fumaça. Em silêncio caminha até o portão. Desconhece aquele lugar. Sem olhar para trás, faz o caminho de volta. Pega a chave que estava sob o tapete. Surda-muda. Sonho-pesadelo. É lá seu lugar, é onde ela mora: no último andar, na última porta.

A DOR DO POETA II
Não brigue com minha poesia
Deixe-me escrever até que a alma seque
São palavras jogadas contra a parede
Que voltam fortes
Como pedras que atingem meu rosto
Que já não tem a mesma idade.
Dezoito meses a gerar um livro.
Com o peso da saudade em meu ventre.
Em cada manhã quando lhe via partindo
Sabendo que não voltaria
Eu via a tua imagem sumindo
Muda, permanecia num choro contido
De amor, de amor, de amor...
Não quero ser o poeta
Dessas letras afiadas
Que me cortam
mas,
São elas que estancam
Minha alma hemorrágica
Quisera eu não te amar
E nunca mais escrever
Uma linha
Não brigue com minha poesia
Deixe-me escrever até que a alma seque
São palavras jogadas contra a parede
Que voltam fortes
Como pedras que atingem meu rosto
Que já não tem a mesma idade.
Dezoito meses a gerar um livro.
Com o peso da saudade em meu ventre.
Em cada manhã quando lhe via partindo
Sabendo que não voltaria
Eu via a tua imagem sumindo
Muda, permanecia num choro contido
De amor, de amor, de amor...
Não quero ser o poeta
Dessas letras afiadas
Que me cortam
mas,
São elas que estancam
Minha alma hemorrágica
Quisera eu não te amar
E nunca mais escrever
Uma linha
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